quarta-feira, 22 de junho de 2011

A cidade indiferente - Capítulo 2

Aquele lugar era muito parecido com as feiras de hoje: pessoas saíam do interior para suprir suas necessidades de consumo ali, muita gente gritando, muita gente andando, o cheiro forte das comidas típicas sendo feitas na hora (alguns doces de frutas que são envolvidos por folhas, “churrasquinhos” à moda, peixes assando, pães com todos os tipos de formas e tamanhos e até mesmo recheios) abriam o apetite, enfim, um fluxo perfeito do mais pacífico caos. As barracas possuíam um toque único de uma cultura desenvolvida para a época, todas com detalhes peculiares e diferenciados, algumas com cantos arredondados, outras não; algumas feitas em madeira e outras com espécie de metal (que não era tão caro assim), algumas rústicas e outras futurísticas, porém o mais interessante eram os desenhos talhados. Pareciam com animais (alguns juravam que podiam ver leões, tigres, elefantes e camelos), outros pareciam com as ondas do mar, alguns outros com tribais de culturas diferentes, mas todos interessantes em suas especificidades.
Era realmente um lugar muito chamativo. Mágicos se apresentavam enquanto miravam seus sustentos, malabaristas impressionavam o público, músicos tocavam (sim, a música do lugar também era outra coisa rica, que dava um toque todo especial a tudo aquilo). Havia também as mesas de jogos em que os apostadores faziam seu tipo de “maracutaia”. Tudo parecia muito interessante e as muitas “informações” prendiam a atenção de todos. Na verdade existem histórias de pessoas que foram enviadas para fazer as compras de alimentos do mês e se perderam nas tentações das belas propagandas de adornos e utilitários e voltaram para casa sem nada. E como todo lugar onde há jogos, há também aqueles que perderam tudo e hoje mendigam por não mais possuírem bens.
Encontravam-se ali também aquelas pessoas que fazem de tudo para subir na vida, inclusive a contratação de mercenários para o assassinato de quem fosse “pedra no caminho” ou na escada, já que só se falava em “subir degraus”. Esta era uma expressão bastante comum naquela região e falava a respeito de poderio econômico, e consequentemente, poderio político. Nestes(os políticos),  o mau encontrou espaço e se apossou completamente de suas almas. A vida humana era vista somente como mão de obra para quem lhe fosse subordinada e lixo descartável para quem lhe fosse concorrente (inimigo).
Vendo tudo isto com os olhos já não mais vendados pelas mentiras que outrora o cegavam e pelas personalidades que já não mais lhe pertenciam, nosso herói entrava num colapso ao tentar lhes avisar de suas práticas. Era muita informação (e aquilo tudo já lhe era familiar há muito tempo).Porém agora ele enxergava claramente o lado negro das pessoas.Via que o que lhe fora precioso durante todo o tempo já não era mais o motivo de sua existência, e aquilo tinha livrado ele de um fardo pesado. Mas será que ele era o único naquela cidade que conseguia ver isto? Poderia ele ao menos ser ouvido? Ou será que seu passado já o havia mergulhado tão fundo na escuridão que já não havia mais meios para que ele fosse ouvido? Ainda sim, continuava aos gritos, cada vez mais altos, alguns com expressão de choro, alguns com expressão de angustia, mas persistia na certeza da verdade de que havia finalmente se encontrado:
-NÃO ENTENDEM O QUE ESTÃO FAZENDO? OUÇAM-ME.  VOCÊS PRECISAM VER !  PRECISAM VER... PRECISAM ENXERGAR!

Sinval Guerra

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A cidade indiferente - Capítulo 1

Bem fiéis seguidores e leitores do blog... começarei hoje uma série de um conto que escrevi semana passada, inspirado por alguns acontecimentos e uma música em especial. Espero que gostem e que a leitura seja prazerosa! Boa leitura a todos!




-PAREM! OUÇAM-ME! POR QUE CONTINUAM ME IGNORANDO? – Gritava desesperadamente um rapaz enquanto rasgava suas roupas num desgosto que parecia tornar a sua alma cheia de temor e tremor pelas pessoas a quem tentava falar. Lançava-se numa mistura de angústia e de anseio por um pouco de atenção. Mas o povo daquela cidade continuava a negociar seus produtos em meio ao comércio com seu comportamento naturalmente indiferente que assustava alguns dos visitantes que por ali passavam e nada sabiam. No entanto continuavam a fazer o que lhes era conveniente, já que ninguém natural do lugar dava atenção para o tal acontecimento.
            -Tirem esse louco daqui! Está atrapalhando tudo outra vez!- Pensavam infelizes enquanto não se davam ao luxo nem de comentar, para que aquilo não tomasse maiores proporções, afinal aquela já não era a primeira vez que este tipo de coisa acontecia com o mesmo sujeito, falando coisas muito parecidas com as de sempre. Mas quem ligava para o conteúdo do que ele falava se o discurso era só parecido ou igual? O esforço para tentar entendê-lo não passava de uma mera perda de tempo, e tempo é dinheiro, então que o tempo seja investido para o que realmente interessa: adquirir riquezas num tempo um tanto difícil, onde quem consegue se virar para comer e vestir bem já é considerado vitorioso, destacado! Não naquela cidade! Aquela era uma cidade rica, portanto ganância pouca era coisa rara. Sempre pensavam no muito, no topo, no mais, e mais e mais... Pensavam no lucro acima de todas as coisas. O que realmente importava naquela sociedade era o poder aquisitivo.
 Havia todos os tipos de pessoas e comerciantes naquele lugar. Lá se comprava ouro, animais, fios de ceda da mais alta qualidade, iguarias. Era realmente um centro comercial da região, e como todos os centros comerciais, havia uma disputa constante que invalidava qualquer tipo de amizade, aliás, vou até mais fundo, impossibilitava qualquer tipo de relação humana. As relações eram muito robóticas, apesar de naquele tempo não existirem robôs. As pessoas se relacionavam somente quando necessário e com uma superficialidade fora do comum, todos isolados em suas bolhas de conveniência procurando seu próprio conforto e satisfação.
E o nosso esperançoso jovem em sua missão colossal parado ali, no meio de tudo aquilo, clamando por um pouco de tempo e atenção, como um pequeno broto de árvore que tenta crescer entre os espinhos acreditando piamente na mensagem que lhe fora confiada. Aquilo tudo o transformara e por que não transformaria também a todos de sua vila? Ele era visionário, não queria apenas que aquelas boas coisas acontecessem em sua vida, queria mais, era ambicioso! Mas era uma ambição completamente diferente da do povo de sua cidade, até mesmo completamente diferente de suas próprias ambições de alguns dias atrás! Aspirava ver todos impactados com aquela nova notícia que poderia mudar o curso do mundo. Era algo tão grande que tremia de pensar em falar aquelas coisas tão complexas e simples ao mesmo tempo. Era realmente muito importante. Cabia a ele anunciar  e tentar mudar a história de “sua casa”.

Sinval Guerra

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ode a ela


Não amo-te desinteressadamente
Interessa-me a tua companhia
Não amo-te desintencionalmente
Intenciono ver-te feliz em teus lindos risos
Não amo-te desesperadamente
O desespero traz em si o egoísmo
Não amo-te desordenadamente
Na bagunça não se encontra o que se deseja
Não amo-te incondicionalmente
Só o amor de Deus o é
Não amo-te só emocionalmente
A paixão é uma irônica donzela que vai e vem quando bem entende
Não amo-te só racionalmente
É inegável que a constante saudade seja emocional

Amo-te pacientemente
Como quem espera a primavera
Amo-te simplesmente
Como estas simples palavras que escrevo
Amo-te amadamente
Amo-te
Amo-te

Sinval Guerra

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Perdoar ou curar?




O dissabor inexplicável era constante enquanto as pessoas me olhavam com um olhar de falsa comiseração, como quem dizia: “Olha só, aquele que outrora era alguém, agora é só um aleijado!”... pois é, “agora é só um aleijado”! Era exatamente a isso que se resumia a minha vida enquanto eu acreditava ser esta a minha verdadeira sina, após ter perdido a capacidade de andar numa trágica situação. Mas nem tudo era tão ruim, na verdade existiam quatro bons motivos para que meus dias fossem menos difíceis, quatro amigos que desde a minha infância me acompanhavam, e não me deixaram sequer um dia de lado, por minhas limitações! Éramos tão felizes enquanto crianças. Subíamos nas arvores, pulávamos nos rios, corríamos alegres enquanto os problemas ainda não nos alcançavam.
Certo dia chegaram lá em casa, com um plano meio maluco, dizendo que havia um homem a quem acreditavam ser o tão esperado Messias. Disseram que ele tinha o poder para me curar, logo pensei: “ele realmente tem o poder de curar? Como poderei encontrá-lo? É loucura! Prefiro me abster de falsas esperanças!”. O ceticismo já havia criado raízes em minhas convicções, e eu aceitara que meu pobre destino era realmente padecer no alento com remorsos e lembranças de dias melhores, apenas aquilo.
O grande dia chegou, vieram então meus amigos e me carregaram no leito até onde estava um sujeito chamado Jesus, que havia nascido em Nazaré, mas pensava eu: “que boa coisa pode sair de Nazaré?”. Logo vi que multidões o cercavam, e me maravilhei com as boas coisas que ouvia a seu respeito, palavras que ascendiam minha esperança como uma pequena brasa que com a ajuda vento se transforma em labareda, mas logo comecei a resmungar atormentado por outra inquietação: “Como chegarei ao mestre se tanta gente o cerca? É melhor voltarmos para casa”. Não deram ouvidos às minhas lamentações, estavam bolando algum plano engenhoso enquanto sorriam e olhavam para mim... a uma altura desta a curiosidade para ouvir o que se passava na rodinha já havia inundado minha mente, quando disseram: “- Eu conheço esta casa, no teto dela há um buraco – (iam dizendo enquanto eu me assustava com suas mentes criativas) – Nós amarraremos cordas no seu leito, uma em cada ponta... te desceremos até lá, e então o Rabi irá curar-te!”. “- Meu Deus, quão loucos vocês conseguem ser?” – respondi enquanto meus olhos enchiam-se d’água em ver o esforço de cada um deles.
Dito e feito! Mas chegamos então à parte mais importante da minha história... quando me desceram até o local o mestre sorriu para mim então virou-se e disse aos que lá estavam: “O que é mais difícil, quem irá me responder: Perdoar ou curar?” Enquanto o silêncio tomava conta da sala, ele novamente olhou para mim, com um olhar de afeto e disse: “Perdoados estão os teus pecados, toma a tua esteira, e vai para tua casa!” E de repente os movimentos foram voltando em segundos, foi como se eu nunca  os tivesse perdido. Mas muito mais importante que aquilo, algo mudou em meu interior, algo que me fez acreditar mais na intimidade do Deus dos meus Pais, aquele homem realmente era o filho de Deus enviado ao mundo.
Mas ainda sim uma pergunta ecoou e perdurou-se em minha mente por um longo tempo. Só consegui obter a resposta depois de anos, por que ele não simplesmente disse que fosse curado e tomasse meu leito como foi com todas as outras pessoas? Por que ele perdoou os meus pecados e isso me curou? A resposta chegou quando o vi pendurado naquela cruz, todo ensangüentado e quase morrendo, foi ali que entendi que curar era muito simples pois ele tinha o poder para operar não somente isto, mas coisas muito maiores, mas para que meus pecados fossem perdoados, ele precisara se entregar como um cordeiro, o cordeiro de Deus. Precisou carregar a cruz após ser espancado. Que trouxe a redenção dos meus pecados e me libertou de muito mais do que apenas a limitação física, mas libertou-me de mim mesmo, e me fez um só com o Pai. Agora sim eu entendo que perdoar-me custou-lhe seu sangue vertido naquele calvário.  (Texto inspirado por Mateus 9)


Sinval Guerra

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Reformando


            Bem... a algum tempo venho brincando e dizendo que Deus tem me concedido o ministério das coisas simples, e sou muito grato por isto! Por conseguir ver a Sua glória em coisas simples e que fazem uma grande diferença em minha vida, e é claro, espero que na sua também, meu caro leitor. A algum tempo venho falando a respeito de coisas corriqueiras na vida que muitas vezes passamos desapercebidos sem tirar as lições que Deus deseja nos ensinar, e não vai ser diferente agora... quero falar a respeito de reformas.
            Esses dias ando me sentindo bastante incomodado pelo motivo de que minha casa está em reforma. Vocês sabem como são reformas: muita bagunça, muita poeira, todos os móveis fora do lugar, você quase não tem lugar para transitar na casa, muito menos lugar de privacidade e de silêncio. O barulho dos martelos e ferramentas trabalhando é ensurdecedor, você quase não consegue se concentrar em nada! NOOOOSSA... É TERRÍVEL! (que desabafo, né? rsrs) Pois então, blogueiros, aposto que todos vocês já passaram por situações assim.
Um dia desses um amigo entrou aqui e se espantou com a bagunça e me perguntou: “Reformando?”, respondi: “Pois é, tá tudo fora do lugar, bagunçado!”. Pronto! Sabem quando aquela luzinha dos desenhos animados aparece em sua mente e tudo começa a fazer sentido?
            Deus tem um senso de humor amável e nos mostra a vida como uma casa: “Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.” (1 Cor 3:9) Simples assim! Somos edifícios de Deus! E esta reforma me ensinou algumas coisas importantes.
            O tempo passa e os edifícios vão ficando velhos. As mobílias que outrora eram novas começam a envelhecer, enferrujar, até que chegam ao ponto de uma necessidade de troca. As paredes vão ficando manchadas, as vezes até com infiltrações. A casa que outrora era nova e linda vai envelhecendo e perdendo a beleza da novidade, e são nessas horas que se precisa de uma reforma. Os móveis precisam ser trocados, as paredes rebocadas, re-pintadas ainda que isso gera uma grande “confusão” e é aí que tudo parece estar uma bagunça só! Nada está mais no lugar, parece que tudo está sendo desconstruído, a poeira da reforma vai tomando conta da casa que parece estar indo à falência. A falta de espaço nos faz perder a noção de como as coisas ficarão no final do processo. Só que quando tudo termina, as coisas ficam limpas novamente, novas: “Assim que se alguém está em Cristo nova criatura é; as velhas coisas já se passaram, eis que tudo se fez novo” (II Cor 5:17)
            Esta é a proposta de Cristo em nossas vidas, reformar o nosso interior mesmo que isso gere um incômodo muito grande (e acredite, vai causar!). Precisamos ser reconstruídos, reformados, a mobília precisa ser renovada, as paredes quebradas, e no meio do processo vamos achar que é tudo só bagunça, porém novos cômodos irão surgir, a casa ficará novinha em folha. Tudo que precisamos fazer é deixar Ele trabalhar! Mas não se preocupe, Jesus era marceneiro, Ele entendia muito bem de construções e de medidas específicas!
            Mas por fim, há um preço a ser pago por esta reforma: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Romanos 12:1). E aí, você está disposto a ser reformado?

Sinval Guerra

terça-feira, 19 de abril de 2011

A Trilha



                Outro dia um amigo (Tiago Paim) me chamou para irmos num monte que ele tinha ido 10 ANOS ATRÁS (isto mesmo! 10 anos!!), para orarmos juntos. Ele não poderia ir sozinho porque não lembrava o caminho e poderia ser perigoso... logicamente eu e meu espírito aventureiro gritamos de felicidade ao saber que era fora da cidade e seria um silêncio total (assim como a propaganda que ele fez garantia: silêncio total!). Para este feito chamamos também outra amiga nossa (Cíntira, escritora do blog: http://wwwhumseila.blogspot.com recomendo, muito bom!!). Sem mais delongas vou compartilhar com os assíduos, fiéis e pouco numerosos leitores deste humilde blog (rsrs) o relato da história e as coisas que aprendi de Deus nesta experiência.
                Bem, tudo começou às 2:30 da tarde num sol de mais ou menos uns 40° (sem exageros!), deixamos o carro num lugar seguro e saímos andando. Depois de uns 45 mins. atravessamos a BR que separa a cidade da trilha onde supostamente encontraríamos o monte após mais meia hora de caminhada. Encontramos a tal trilha e começamos a andar por ela, e começamos a encontrar uma vegetação constituída de plantas grandes e pequenas, espinhosas e até aquelas que fazem a gente se coçar todo (essas são terríveis! Rsrs)... andamos mais um bom tempo e encontramos uma bifurcação. Na dúvida, resolvemos dar ouvido à única mulher do grupo que apontara para uma direção instintivamente, fomos na fé seguindo adiante.
                Andamos por este caminho até a trilha ir se estreitando cada vez mais e acabar, então concluímos que pegamos a direção errada na bifurcação de uns 20 minutos atrás. Voltamos e pegamos o outro caminho na nossa jornada incansável pela busca do tão bem propagado monte, na ânsia de orarmos e obtermos algumas respostas de Deus, experiências com Ele... Seguimos em frente e o mesmo aconteceu, a trilha foi se estreitando até que acabou e então percebemos que já era hora de voltar, já havíamos andado muito e não tínhamos alcançado nosso objetivo de encontrar o monte. Fizemos nossa oração lá mesmo e ainda felizes começamos a traçar todo o caminho de volta.
                Agora chegamos à parte interessante, não atingimos o nosso objetivo de chegar ao monte, mas isto não significou que não obtivemos o que deveríamos obter de Deus naquela tarde! Começamos a pensar em todo nosso esforço para alcançar o objetivo de chegarmos ao monte para termos o nosso encontro com Deus e chegamos a conclusões realmente muito significativas...
                Muitas vezes nós andamos pelos caminhos estreitos achando que é o caminho certo pelo simples fato de que o caminho certo é o estreito, mas todo caminho estreito é o certo? Não! Relacionando isto com nossa caminhada cristã: aquele caminho estreito e cheio de espinhos e empecilhos não era o caminho que nos levava ao monte (ao “encontro com Deus”), mas nos enganou por ser estreito! Só que nem todos os caminhos estreitos nos levam ao objetivo final do caminho certo, apesar de se parecem muito e possuírem os mesmos espinhos, pedras e obstáculos! E qual é este caminho estreito que não é o certo? RELIGIOSIDADE! Portando devemos tomar cuidado: “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo...” Efésios 4:14 e 15).
                Mas não acaba por aí, falar só sobre a religiosidade renderia um texto inteiro (vou pensar na possibilidade de escrever sobre isto mais pra frente). Outra das conclusões que tiramos foi a seguinte: antes de passamos por ali, alguém precisou passar para “fazer” a trilha, limpar o caminho e fazer com que ele aponte para algum determinado local. Foi exatamente isto que Jesus fez para nos indicar o caminho certo, ele veio antes, tornou o caminho menos difícil e com uma direção, o que não significa que o caminho seja fácil, só, é menos difícil quando andamos pelo caminho que Ele abriu, porque Ele se fez o próprio caminho: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida" (João 14:6).
                Mas para que estas coisas fossem ministradas aos nossos corações, nosso objetivo deveria estar realmente em Deus, caso contrário nossos corações estariam fechados por não alcançarmos o objetivo que achávamos que era o principal e fecharíamos nossos ouvidos ao murmurar por termos andado tanto. Portanto Deus necessitava ver corações abertos pois: “O que tem o coração aberto é como o solo arado, que tem um sulco aberto onde a Palavra cai e frutifica.” (Oséias 10:12)
                A nível de informação, andamos de 2:30 as 5:30 da tarde sem intervalos por volta de aproximadamente 15 km (ou mais), e pegamos a estrada errada para voltar. Acabamos nos encontrando quase do outro lado da cidade, mas ficamos muito felizes pelo bom tempo de risadas, dedicação e separação de uma tarde inteira e de nossas forças para Deus. Aqui vai a dica: Ainda que você não alcance o objetivo que traçou, mantenha o coração aberto porque Deus pode falar coisas muito maiores do que se você tivesse alcançado seu objetivo. E tome cuidado, os caminhos estreitos nem sempre são os certos!

Sinval Guerra

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O meu verdadeiro eu




             O que significa o coração de Deus? O que seria o coração de Deus na sua vida? O que você acha que representa para Deus e o que você acha que Deus representa para você? Acredito que à medida que as perguntas vão avançando é necessário que se busque mais profundamente respostas diretamente de Deus em nossas vidas... por isto desta vez vou deixar a preocupação de lado e me abster de pensar o que as pessoas “vão achar” para agarrar-me a uma coisa tremenda que o Senhor ministrou ao meu coração!
             E se eu dissesse que o coração de Deus na sua vida é você mesmo, você acreditaria ou se escandalizaria? Este pode parecer um conceito um tanto estranho, mas vamos falar a respeito do que separa o nosso “verdadeiro eu” do eu que pensamos que somos, e então iremos entender o coração de Deus em nossas vidas.
             Segundo Max Scheler (um dos principais autores da Antropologia Filosófica) a “esfera” do Ser Absoluto (Deus) reside no homem e permanece intocada, ainda que o homem tenha mudado suas concepções e atos relativos a conteúdos e materiais que a compõem... a “esfera” do Ser absoluto continua como parte constituinte da própria essência do homem.
             Falaremos um pouco mais sobre a teoria de Scheler para entendermos melhor o coração de Deus! – Mas o que este antropólogo sabe a respeito de Deus? Ele era evangélico? Acreditava em Deus? – Não sei, mas ainda que ele não tenha crido no verdadeiro Deus, a verdade teológica que por ele é revelada, é muito espiritual! Vamos lá então:
O ser Absoluto tem a natureza imutável: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente.” (Hebreus 13:8) e reside no homem: “O vosso corpo é templo do Espírito Santo” (1Coríntios 6:19). Então mesmo residindo no homem, ainda que o homem tenha sido agravado por uma total decadência espiritual ao longo da história e ainda que o homem resista a sua grandeza e o seu poder absolutos, a natureza de Deus continua imutável, no entanto não deixa de habitar no homem que o aceita e o confessa com sua boca.
Quando Deus soprou a vida nas narinas do homem, junto com aquele sopro havia o Espírito Santo que faz moradia em nossos corações, e o Espírito Santo é tão Deus quanto o próprio Deus o é! Portanto a essência do homem (citada por Scheler) é exatamente desempenhar a função do propósito pelo qual ele foi criado! E quem criou você a não ser o próprio Deus? E quais os propósitos de Deus na sua vida? Chegamos então ao assunto citado no início do texto, o coração de Deus!
O coração de Deus na sua vida é o “seu verdadeiro eu”, o ser que não foi atingido pelo pecado, inveja, cobiça, nem a corrupção dos conhecimentos inadequados que criam barreiras entre os conhecimentos verdadeiros e os conhecimentos que levam à soberba e à retenção da expansão das nossas vidas e nos deixam aprisionados a conceitos vazios e sem lógica espiritual pois a essência do seu verdadeiro ser (a qual todos deveríamos nos atentar) está em Deus, e Deus é incorruptível!  A essência verdadeira é puramente o Espírito de Deus!
Desta forma o seu verdadeiro eu, não é o que você acredita ser (você não tem a capacidade de enxergar tão longe)! Muito menos o que te disseram que você era, ou te fizeram acreditar (se nem você sabe o que realmente é, imagine os outros)! O seu verdadeiro eu é uma pequena parte do infinito Deus! Isto mesmo! Você é uma parte de Deus, do coração dEle, afinal você é parte da família do Altíssimo! Filho amado dEle (e filhos sempre têm uma herança genética dos pais, neste caso a herança da essência)! Não foi baixo o preço de sangue pago que nos limpa e lava de todos os pecados.
Assim como Paulo teve o entendimento deste fato e escreveu: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gálatas 2:20). O meu verdadeiro eu apenas vive na inter-relação da coexistência na dependência total de Deus, porque quando chegamos a este ponto, somos um só com Ele. Eu só consigo ser o meu verdadeiro eu quando o Espírito Santo toma tamanhas proporções que de mim apenas resta o corpo de carne e deixo mover-se livre e levemente a vontade de Deus. Eu sou o meu verdadeiro eu quando obedeço e me entrego de coração, de forma que não mais hajam vontades da corrompida natureza à qual eu acredito pertencer. Eu sou o meu verdadeiro eu quando aceito a paternidade de Deus e entendo o propósito para o qual fui criado: adorá-lo.
Portanto gostaria de finalizar com uma humilde exortação: busque de Deus quem é você de verdade! Busque de Deus quais os planos dEle na sua vida, e não quais são os seus para que Ele te abençoe! Busque de Deus quais dons Ele te deu para trabalhar da melhor forma possível e frutificar, e, por fim, busque de Deus ser o coração dEle na sua vida, seja o seu verdadeiro eu!


Sinval Guerra