É esbarrar-se e ser consumido
O amor não possui um limite conhecido
É abaixar a guarda e estar vulnerável
E esperar surpreender-se com o inevitável
É voar quando bem quiser
E voltar, fazer morada no peito de quem ali estiver
É como enxurrada de alegria
Mas também como terriveis abismos de decepções que alguém colecionaria
É despir-se de si mesmo perante alguém
É reconhecer que sem ele (o amor), se é ninguém
É aceitar a diferença em seu seio
E perceber que de perto pode ser belo, o feio
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Caraminholas
Espaço é mutável
E se a fórmula da velocidade é
Espaço/Tempo
Prefiro aprender com a canção:
♪“Ando devagar porque já
tive pressa”♪
Definir o subjetivo com objetividades é
perfumaria
Cheira bem, mas logo passa
Não chega perto da descoberta da essência
E no compasso despassado da vida
Que segue em notas dissonantes
A gente aprende que pessoas são mundos inteiros
Construídos em histórias,
gostosuras e travessuras
Não podem ser resumidas
Nunca inteiramente conhecidas nem por si próprias
Por quê, então, o desejo de tornar-se hoje
O que só o amanhã trará?
Talvez uma expectativa bonita do melhor que se pode ser
Me deparo com estes versos sem rimas
Tentando não envaidecer-me com estruturas
proselitistas
De poeta, apenas a admiração pela vida
Com o necessário pra dizer
De forma simples, a única que eu sei fazer
O que só você poderia entender.
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
A beleza do fracasso
Certa vez Aristóteles disse: "Se as coisas são
maravilhosamente adequadas às suas finalidades, e elas são singulares, é porque
as finalidades também são singulares. Se todos nós tivéssemos a mesma
finalidade seríamos iguais. A nossa finalidade é singular na medida da nossa
singularidade". A visão que temos a respeito de nós mesmos se
perigosamente moldada por uma sociedade e criação que exigem de nós que não
sejamos o que nascemos para ser em nossa singularidade de finalidades, pode
gerar uma um abismo em nosso sentido existencial, um buraco negro que suga toda
a vida em suas nuanças orquestrais e todas as expectativas de uma vida cheia de
potenciais.
É realmente impressionante olharmos a quantidade de
medalhas que os grandes campeões olímpicos possuem em suas modalidades, ou os
troféus de determinados atletas, eles guardam tudo em vitrines e aquelas
vitórias ficam eternizadas em suas belas estantes que seres mortais como eu e
talvez você, nunca iremos alcançar, por mais que invejemos e nos esforcemos
para tal. Existe uma sede de vitória e busca por bons resultados em tudo que
fazemos, não porque queremos fazer tudo com o melhor que temos, mas porque de
alguma forma queremos e gostamos de exibir nossos números e feitos maravilhosos
a todos os amigos, uma espécie de transferências do facebook para a vida real,
só que no nosso discurso. – Por que facebook? – Alguns vão me perguntar, e
minha resposta é bem simplória: O facebook é o “mundo ideal, a utopia” de
Platão, só que virtual, não mais somente no campo das ideias.
-Onde o tema do texto se encaixa nisso tudo? – Em tudo! A
verdade é que o nosso pragmatismo nos cega para coisas realmente importantes na
vida e nos distraímos nas seduções das grandes vitórias que podemos colocar em
nossas estantes da vida ao perdermos de vista os grandes benefícios que os
fracassos e as quedas podem nos ensinar. A verdade é que incontáveis derrotas,
não são, de fato, derrotas. A verdade é que apesar de tudo, o clichê: “tudo tem
um lado bom” tem um Q todo especial e belo, que poucos valorizam.
Deixem-me citar um exemplo para ilustrar meu pensamento:
Um homem que passou 30 anos se preparando para atuar somente em 3 anos de vida
e durante esse processo foi rejeitado pela grande maioria, sua mensagem não foi
belamente recebida pois ele não possuía a intenção de ser compreendido por
todos (pasmem!), um homem que foi rejeitado inclusive por alguns de seus mais
chegados e teve a morte mais vergonhosa de todas. É dEle mesmo que estou
falando, o Deus poderosamente fraco, Jesus! Possuindo o poder e as ferramentas
para executar absolutamente tudo quando quisesse, submeteu-se à vontade do Pai
e fracassou vergonhosamente aos olhos dos homens que não possuem a fé de
enxergar através da cruz e perceber a gloriosa vitória alcançada por seu “fracasso”.
Perdemos nossa vida construindo as tais estantes
vitoriosas para mostrar a outrem, esquecemo-nos que, como diria Saint Exupéry: “o
essencial é invisível aos olhos”. Perdemos nossa vida confundindo a importância
de ser relevantes existencialmente com a importância de ganharmos nossas
medalhas e troféus, não importando o custo dos mesmos. Perdemos a nossa vida
correndo atrás do vento, perdendo tempo. Perdemos nossa vida no eterno conflito
ser/ter.
Portanto,
meu amigo, se assim como eu você é também um fracassado, bem vindo ao mundo
daqueles que enxergam que nem todo fracasso é ruim, e por isto, já não se
importam mais se aparentam serem fracassados ou não, já não se importam mais
com a imagem que possuem por terem errado, caído, enganado-se em escolhas
erradas, não esforçado o suficiente ao mesmo tempo em que tentaram fazer a
coisa certa. Não estou afirmando que todos os nossos erros são justificáveis,
estou apenas alegando que nem todas as perdas e insucessos aos nossos olhos são tão ruins
quanto pensamos.
Trago-lhes
boas novas, meus nobres perdedores: Algumas derrotas são melhores que vitórias,
e há uma beleza MUITO peculiar em algumas delas.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Dessensibilização
Acredito que a
dessensibilização é um dos processos mais difíceis
da vida. Ele é tão sutil que o dessensibilizado não
percebe que já não sente o vento da manhã
em seu rosto enquanto um novo dia vem com todas as possibilidades de novidades, não
enxerga nem mesmo que existem possibilidades de múltiplas possibilidades para quaisquer
decisões que resolve tomar. O dessensibilizado não
consegue perceber o calor de um abraço ou aperto de mão, nem se
sentir assombrado ao pensar sobre sua própria existência, ou sobre o impacto que poderia
haver no mundo a falta dela. O dessensibilizado não se contagia com sorriso de uma criança,
não
se sente impelido a planejar diante dos tantos planos de um jovem (mesmo
sabendo que a grande maioria deles nunca irá acontecer) e não se sente
reflexivo diante da experiência de algum ancião.
O dessensibilizado não vê poesia na vida, não
olha pro céu, tropeça em suas próprias lamúrias
e cai em seu chão de tédio inerte. A dessensibilização
pode ter acontecido por incontáveis motivos, com qualquer um e em
qualquer lugar, posso até ir um pouco mais longe, e afirmar que
além de ninguém estar imune a este estado vegetativo
de vida (mas, boa notícia, é passageiro), podemos passar várias
e várias vezes pelo mesmo.
E hoje, o que
eu mais espero, é que eu nunca tenha a pretensão de achar que sou imune ao processo de dessensibilização,
e que todas as vezes que por ventura ela resolva bater à porta de
novo, que dure o mínimo possível, e quando for embora, que deixe em
mim lições de tudo aquilo que eu não desejo ter/ser.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
E o que mudou?
Anos vão se passando e esta pergunta
volta e meia ressurge como uma aparição fantasmagórica tentando nos assombrar e
nos mostrar que grande parte de nossos planos e objetivos não se cumpriram como
havíamos planejado. É bem verdade que, segundo Platão, o mundo das ideias, ao
contrário do mundo sensível (material) onde tudo se encontra imperfeito em
sistemática desordem, tudo nos parece muito mais brilhante, afinal, o “ideal” é
exatamente a ideia que se tem de uma realidade onde tudo está em perfeita
harmonia, totalmente como planejado, em perfeito equilíbrio, etc etc etc...
À primeira vista o mundo ideal parece
ser bastante atrativo, já que é feito de perfeições e realizações plenas, mas é
também um mundo cheio do mais puro “eu” que possa existir, sem espaços para
absolutamente nada que vá de encontro ao meu desejo maior em relação ao objeto
ou situação que se pretende.
A verdade é que ao enxergar o “mundo
ideal” não vejo possibilidades para confrontos, decepções, frustrações, e todo
tipo de “guindastes” demolidores de nossas personalidades e sonhos. Não há
espaço para uma reconstrução e tudo de belo que pode vir após o temporal, pois
o perfeito é inteiro em si, restando apenas um único problema: “o meu perfeito,
é perfeito de fato?”.
Pensando nisto é que chego à outra
pergunta: “e então, o que mudou em mim nestes últimos anos?”. Alguns fatos
interessantes: Ainda não tenho absolutamente nada material do que sonhava que
teria quando chegasse aos 26. Ainda não tenho minhas crises miraculosamente
resolvidas pelo simples fato de que o tempo está passando. Ainda não tenho a carreira
que gostaria. Ainda não sou a metade do ser humano que havia projetado que
seria. Ainda não sou o cristão que sonhava ser.
Meu caro e raro leitor que com
certeza reparou no claro destaque para tudo aquilo que não alcancei, e suponho
que você também tenha enxergado ainda que um pouco de si em tudo isto, ainda
que não nas mesmas coisas, mas pensado em tudo que ainda não atingiu. Eis
algumas boas surpresas para minhas respostas referentes ao “que mudou”:
Surpreendentemente encontro-me mais contente em ter não ter alcançado todas
estas coisas acima. Percebo que meus altos já não são tão mais altos assim, e
os baixos já não são mais tão profundos também. Vejo que todas as
decepções/frustrações exercem uma influência positiva em combate ao meu lado
hedônico e egoísta.
Como já havia afirmado em alguns
outros textos: a utopia é boa para que através dela possamos sempre continuar
caminhando em direção ao ideal, que de fato, nunca acontecerá, mas há uma
beleza peculiar em tudo aquilo não alcançado, em todo esforço reconhecido e não
reconhecido, em todo sorriso e lágrima que semeamos ao longo do caminho, em
todos os abraços dados e passos para trás ao negar contato.
E então “o que mudou?”. Eu mudei, a
vida mudou, o tempo mudou, as pessoas ao meu redor mudaram, a minha conta
bancária mudou (pfff, mentira, essa continua a mesma... kkkkk). Hoje percebo
que quanto mais simples eu puder ser em planejamentos, ações, comportamentos,
etc, mais eu mudarei, e quanto menos me preocupar em mostrar mudanças, mais
terei efetivado com sucesso tal processo.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Pés no chão?
Quantas vezes somos ameaçados pela expressão: “mantenha os
pés no chão”? Acredito que muita gente se utiliza disto como disfarce para uma
angústia de alguém que não entende o que é ser sonhador. Não discordo completamente
da ideia de que precisamos ter os pés no chão, o que realmente me incomoda é o
fato de que muitos se consideram “realistas” quando são fatalistas. O
fato é que gostamos e procuramos ouvir a tudo e todo aquele que tentam nos frustrar. Se não nos damos ao prazer de tirarmos os pés do chão nos enfadaremos
da realidade chata onde não somos e nunca seremos aquilo que desejamos.
Lembro-me quando sonhava que tinha super poderes e acordava frustrado (sim, eu
sou desses! Rsrs). O que existe é uma necessidade de transcendência
na natureza humana que os não sonhadores nunca entenderão, e ainda que
sonhadores, ninguém além de você vai saber o quanto te fará bem tirar os pés do
chão uma vez ou outra, afinal, você não precisa se cobrar tanto assim a ponto
de suprimir as alegrias e detalhes das coisas que você só alcançará no plano
ideal (que nunca se realizará), e ainda que utópico, te fazem caminhar.
Pés no chão? Sim, mas com a liberdade de tirá-los quando
necessário, ou mais, quando desejarmos tirá-los pelo simples motivo de
querermos e ponto.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Vida
Presenciar
o novo nascer
Relembrar
o velho morrer
Viver
a saudade da nostalgia
Mostrar
o vício pela alegria
Que
todo ser esconde e busca
Seja
na luz ou na penumbra,
Seja
no centro ou na divisória
No
fim do mundo ou começo da história
Tudo
se resume a um vislumbre
Um
olhar nos olhos do Ser perfeito
Do
Criador do qual suspeito
Ter
um amor tão grande pelos imperfeitos
Que
as rimas não podem falar direito
O
que traz ao fim este mero poema
De
um escritor que abandona as explicações para este tema
Já
que palavras não são suficientes
Para
descrever um ser transcedente
Assinar:
Postagens (Atom)




