segunda-feira, 25 de junho de 2012

A hora do seguir



Contemplar no escuro o acender, uma luz que no instante fala bem ao nascer

Faz de nós movidos em novidade incandescente, encantados com o brilho a mirar

O belo raio chega e clareia, e se aprende a viver com o constante enxergar

O tempo passa e as coisas se desgastam, e já não é mais cômodo prosseguir no simples viver

Árdua tarefa é mover-se para um lugar ao desconhecer o novo

Andar sem ver é um desafio e nem todos se arriscam

Negar-se a desejar o imediato nem sempre é desejar o futuro

E no dilema da certeza incerta de quem procura o inovar

No fim das contas, quando se percebe que tudo o que resta é apenas esta luz já meio fosca, talvez o melhor seja apagá-la

E ficar a sós com as estrelas, o luar.

domingo, 6 de maio de 2012

Menina Poesia




Era uma vez uma poesia. Tão simples quanto se possa imaginar. Não dada a todos, na verdade, restrita somente aos que sabiam desfrutar de seu profundo encanto. Não explícita em tudo, porém aberta ao entendimento de quem se fazia inclinado a entendê-la. Não criada para se fazer entendida, mas direcionada a quem tem disposição para senti-la. Sem compromisso com a gramática e não menos bela por isso.

Era uma vez uma menina. Tão diferente quanto se podia imaginar. Não agradava a todos, como também não se faz necessário. Não totalmente explícita em seus sentimentos e palavras, porém muito singular em seu pensar. Não criada para ser o que quisesse, antes, encomendada por um propósito detalhadamente arquitetado pelo Grande Criador. Sem falta de complicações, como toda menina que se preze.

Era uma vez a poesia que se apaixonou pela menina. Era uma vez a menina que se apaixonou pela poesia. E brincavam juntas madrugadas a fora. Eram tão parecidas que se podia confundi-las. Era uma vez a menina que pensou que já não mais era, enganada pelo caminho, mas sempre será a Menina Poesia.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Estranhices



Você conhece alguma pessoa muito estranha? Se a gente aprende alguma coisa nessa vida, é que existe muita gente estranha por aí! Sujeitos com manias esdrúxulas e formas excêntricas de ver o mundo, se portar nele, se vestir, o que comer, o que ouvir, tudo! Estamos rodeados de pessoas assim! Mas agora vos pergunto: e alguém não o é em sua intimidade? O que você faz quando ninguém te olha? Dança da forma mais desconsertada do mundo? Canta tão desafinadamente quanto pode? Tira a meleca do nariz? Fica encarando o espelho fazendo caras e bocas? Ensaia diálogos em sua mente e fica nervoso quando a pessoa não segue o roteiro que você tinha traçado? Feliz daquele que aceita suas estranhices e gosta de ser o que sua natureza lhe proporciona. Somos todos estranhos, só depende do ponto de vista analisado! Então novamente volto a perguntar, o que é ser estranho? A resposta é bem simples: ser estranho é ser você! Hahahaha
Portanto quem não for estranho, que atire a primeira pedra!
;)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O tempo não cura nada!



Olá leitores, tudo bem com vocês? Séculos que não atualizo o blog né? Minha vida anda uma loucura ultimamente... mas vou ser bem breve no post hoje!

Dizem por aí que o tempo cura tudo, que o tempo é o melhor remédio para um coração partido, decepções, perdas, e afins. Acreditam piamente nessa ideia de um tempo curandeiro, benevolente, impetulante. Bem... na verdade eu discordo muito disso e acredito que o tempo não cura nada! Não me contento com a ideia de um tempo recompositor. O tempo não costura em nós o que foi deixado em pedaços ao longo do caminho nem muito menos faz os tecidos danificados se regenerarem, estes processos não são condicionados a existência ou inexistência do tempo. O Tempo é somente o tempo. Ele anda quando quer, corre quando bem entende, pára quando necessário, faz o que lhe é cabível no universo singelo particular de quem o vive.
Não me condenem ainda... o que estou querendo dizer é que não me alegro com a ideia de um tempo que tem o controle sobre os processos pelos quais devemos passar para nos recompor e obter novas alegrias. O tempo é atemporal quando entendemos o propósito pelo qual fomos criados, elucidados pelo argumento que nos é cabível de simplesmente sermos porque devemos ser. Mas o que isso tudo tem a ver? Tudo! O processo natural de cura é intrínseco do ser humano, quem cura não é o tempo, é o nosso próprio organismo dotado de propriedades maravilhosas imputadas em nós pelo Grande Criador do universo.
É necessário vontade, dar o primeiro passo, sair da inércia. Atirar-se no desconhecido universo do recomeço. Provar o novo.  Sermos novos de novo. Sermos versão melhorada de nós mesmos, atualizada e à prova de bugs provindos de versões anteriores, como um software. Assim a gente percebe que o tempo não é o curador, é apenas o canal para o processo de desenvolvimento e amadurecimento. Somos capazes de nos adaptar a quaisquer situações, liberar o perdão, seguir em frente, graças a Aquele quem nos criou. Ser quem deveríamos ser, ser quem Ele sonhou!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Montanhas ou planícies?




Desejo limitar-me a um pequeno acontecimento para classificar 2 tipos de pessoas que acabei descobrindo enquanto viajava. Há 2 tipos básicos de pessoas: as pessoas planícies e as pessoas montanhas. Estranho né!? Logo de início, se eu fosse perguntar para você com qual nome você se identificaria mais, o que me diria? Bem, vou falar um pouco a respeito do que notei em uma singela experiência particular.
As pessoas montanhas são aquelas que não gostam de enxergar muito longe, fazer planos a longo prazo, correr, pois veneram a sensação de enxergar o que seus olhos podem ver detalhadamente, são pessoas cautelosas e na maioria das vezes sentem-se “protegidas” quando envolvidas pelas montanhas ao seu redor. Este tipo de pessoa possui muitas qualidades como por exemplo a análise racional e enfática de tudo a sua volta, o famoso chamado “pé no chão”. Possuem também defeitos como o trancamento no seu próprio mundo protegido pelas muralhas que as cercam e preferem ficar ali, no seu ambiente de segurança, onde nada consegue alcançá-las.
Já pessoas planícies são aquelas que reverenciam a linda vista multicolorida do largo horizonte a sua frente, deixando assim alguns detalhes de coisas próximas desapercebidos. Pessoas assim costumam sonhar, sonhos além do “alcance da mão” e dentre as qualidades podemos citar vontade inerente de voar em quaisquer circunstâncias, uma fé que nem sempre se consegue explicar. Já um de seus defeitos é correr olhando para o horizonte, esquecendo-se das pedras no meio do caminho, tropeçando e caindo muitas vezes, mas sempre levantando-se e correndo novamente em direção ao horizonte.
Então volto a te perguntar, meu caro leitor, você é uma pessoa montanha ou planície?

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Uma história de arrependimento



                Durante aquela longa madrugada o galo finalmente cantara. Trazia consigo uma nostalgia embebida de sentimentos ásperos e gélidos de uma triste solidão. Lá no canto, isolado, podia-se notar um homem choroso como uma criança que inconsoladamente e desesperadamente quer algo que não pode ter. Chorava e chorava e chorava o remorso de descobrir que tudo foi uma farsa, que havia sido enganado, entretanto algo ainda pior do que os sentimentos de deslealdade lhe tomavam o peito: a agonia de saber que havia sido enganado por si mesmo, pelo seu coração traidor.
            No peito uma dor insistentemente irremediável. A cabeça a mil já não mais conseguia pensar em nada relevante e ainda carregava o fardo de saber que aquilo tudo ainda não pararia por ali, aquela longa madrugada em aceso se prolongaria numa dolorosa manhã em que mundo jamais esqueceria.
            Pedro via-se contrariado por si mesmo, numa mistura de remorso e arrependimento: “O Mestre previu que eu o negaria e ainda sim não me odiou, como isto é possível?”. Os pensamentos de quem andou 3 anos com o Eterno encarnado e continuava sem conhecê-lo eram intensos, e Pedro notou que eram verdadeiros. Ainda sim, a pior tortura de todas foi imaginar que não mais conversaria com Ele, mesmo o Mestre tendo avisado que voltaria, e assistir a toda aquela dor de camarote. Com as mãos atadas aquele pescador grosseirão via-se completamente impotente.
            Após alguns dias o velho homem deprimido decidira voltar a pescar. Mas por quê? Há tanto tempo ele havia largado aquela prática, deixado para trás os afazeres do velho homem para finalmente ser alguém novo. Finalmente começara a perceber que não era tão diferente quanto pensava, finalmente deixara de acreditar no seu coração.
            Alguns discípulos se compadecendo da dor do companheiro embarcaram juntos, e passaram aquela noite frustrante sem um único peixinho até que um homem encapuzado chega e manda que lancem a rede do lado direito. Sem reconhecê-lo, os teimosos pescadores começaram a murmurar e dizer o quão ruim a noite havia sido, mas que mal há em apenas mais uma tentativa? Lançaram a rede e não conseguiram puxá-la de volta, 153 peixes foi o prêmio total pela obediência naquela ocasião.
            Reconheceram o Mestre todos que ali estavam, mas não Pedro. Pedro enxergava muito mais do que apenas o Mestre em carne e osso e Espírito, enxergava redenção para todo aquele acúmulo de dor silencioso, uma oportunidade de extravasar e colocar tudo para fora. Pedro enxergava arrependimento em si mesmo, finalmente percebera que todos aqueles anos seguindo a Jesus não o fizera conhecer tanto quanto o fato de tê-lo negado e se arrependido, começara a compreender que a graça de Cristo significa o tal do “favor imerecido”.
            Com seu coração ardente, mais do que qualquer outra pessoa no mundo, Pedro coloca sua roupa e não aguenta de tanta felicidade e ansiedade para conversar com Jesus, se atira ao mar antes mesmo que o barco atracasse na costa e corre loucamente ao seu encontro. Jesus o esperava com alguns pães e peixes, e Pedro finalmente percebera que o Eterno vem ao nosso encontro onde nós estivermos, ainda que com as práticas do antigo homem novamente, nos resgata de toda a dor e solidão, e ainda prepara um banquete.
            Então feliz, Pedro percebe que Jesus o havia encontrado, não o contrário.
Assim acontece com muitos até hoje, percebem que Deus é quem nos encontra e nos resgata.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Esconderijo





Sempre há um momento em que nos inunda a vontade de deitar em nosso cantinho em posição fetal, como se de alguma forma estivéssemos novamente protegidos pelo ventre que outrora nos envolveu, e sumir dentro do nosso esconderijo. Sumir como se não existíssemos mais. Não mais. Por alguns segundos, horas, talvez até dias. Voltar ao tempo em que o juízo de valor não nos afetava, de nos escondermos de tudo que nos incomoda, de nos escondermos principalmente dos nossos sentimentos, de nós mesmos. Simplesmente ficar ali, esperando esquecer todo o mundo e o esquecimento do mundo todo. Como se fosse o melhor lugar do mundo. E então é parar, pensar e seguir na impossibilidade da constância eterna. Subimos e descemos nesta montanha russa, inconformados com o movimento do curso das circunstâncias. A sede do novo faz-se perceptível e crescente.

E hoje a minha oração é que Deus seja o meu melhor lugar do mundo, o meu esconderijo, e que me faça novamente renascer.